quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Idosos e "fake news"

 As informações nos dias de hoje , se apresentam como uma infodemia, ou seja , excesso de informações, e muita delas são advindas numa variedade de fontes e em plena revolução digital ganha cada vez mais espaço as informações via internet nas mídias sociais. 

É evidente que é desafiador para muitos idosos se adequarem a essa revolução digital . Habituados durante décadas aos métodos tradicionais, televisão e informação impressa ( jornais , revistas..), muitos ainda aprendem o adequado manejo dos aplicativos que inundam a tela do celular, mas apenas aprender a obter essas informações é insuficiente, precisam ir além, com o aprendizado para discernir o falso do verdadeiro , ou seja detectar o que é uma “fake news” .

No público idoso através da baixa interpretação crítica de informações, dificuldade de acompanhar o fluxo de notícias e pouca habilidade com ferramentas da internet, aumenta a susceptibilidade da vítima e propagador ser esse público em sua grande maioria. 

Comumente os idosos são vítimas de fake News , em razão disso começou a surgir denominações como “tia(o) do Zap” , que representa o divulgador  que incendeia rotineiramente as mensagem de Fake news na rede social do WhatsApp . 

Desta forma, aprender a ter análise crítica de uma informação e aprimorar ou adquirir conhecimento técnico científico, é um dos maiores desafios da era digital, principalmente em idosos.

Criar canais facilitadores de comunicação entre jovem e idosos é uma solução para a população idosa obter informação de forma acessível, além da massiva propaganda em televisão, jornais e revistas .

Texto de Yussef Aiex Abdu Neme Abrahim - Pós-graduando em Gestão Geriátrica e Gerontológica da Med PUC Rio.

 



Yussef Aiex Abdu Neme Abrahim é médico geriatra com residência em Geriatria na Universidade do Estado do Rio de Janeiro

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Atividades presenciais: O dilema do Retorno

O Sesc realiza atividades focadas em idosos há quase 60 anos e essa atuação se modifica através do tempo, e se ajusta de acordo com a realidade existente. Durante a Pandemia de Covid-19 não foi diferente, adaptamos e nos renovamos para que pudéssemos manter a qualidade de ação e atender a nova realidade e necessidade vigente. Os idosos fazem parte do grupo de risco e foram a maior preocupação do Sesc, desde 13 de março de 2020. As ações virtuais se iniciaram logo na primeira semana após o fechamento das unidades, cresceram e se mantiveram até o momento. São 3 mil idosos com ações diárias por meio de grupos de WhatsApp, Grupos de Facebook, Lives, salas de Zoom e Vídeos. Antes da Pandemia a média diária no Estado do Rio de Janeiro era de 6 mil com picos de 10 mil idosos, em atividades presenciais em nossas 19 unidades operacionais.  

O maior desafio dessa atuação foi a inclusão digital e o acesso às ferramentas de rede sociais e aplicativos. Mas todo esse desafio foi vencido semana a semana e proporcionado uma maior segurança na participação do público 60+ nas atividades. As ações foram fundamentais para manter os idosos ativos, seguros dentro de suas residências, informados e minimizando o impacto do isolamento social. 

Considerando o protagonismo do idoso e a promoção da qualidade de vida como um dos pilares fundamentais do Trabalho Social com Idosos, o Sesc foi surpreendido com a ampliação da participação desse público e pelo resultado apresentado. As famílias também deram retorno positivo, tanto pela crescente aproximação dos idosos às tecnologias quanto pela sua interação e aderência as atividades propostas. Foi comum ter netos e filhos apoiando e participando junto dos cafés virtuais, cursos e bailes.  Como muitos idosos moram sozinhos, a falta dos espaços de socialização e, principalmente a falta do Sesc, associada a solidão de suas casas, afetaram sua saúde, para esse grupo o espaço virtual foi ainda mais importante. 

Nesse período de Pandemia, até os idosos mais resistente se renderam a tecnologia e as redes sociais, como forma de contato com o mundo exterior e com a família. Houve uma mudança no perfil dos idosos, eles começaram a enxergar na tecnologia um modo de vida, antes inexplorado. Eles abriam a porta para a internet, mudando assim seus hábitos e suas rotinas, ficaram mais conectados e sedentos por esse conhecimento, abandonando os estereótipos de avessos aos celulares e computadores. Criaram perfis, conteúdo, estão interagindo e participando. A internet permitiu que eles fossem protagonistas e atuantes e não somente expectadores. Perfis nas redes sociais de idosos influenciadores geraram representatividade sendo um fator estimulante para a presença deles nesses espaços.    

Desde os cafés virtuais, as lives, os bailes temáticos e cursos via zoom, a frequência e a participação ativa crescia a cada semana e as temáticas se modificaram. Cada vez mais temas novos e contemporâneos surgiram, como por exemplo, sexualidade, aplicativos de encontros, compras pela internet e telemedicina. Essas demandas surgiam e a equipe trabalhou em conjunto para atendar a cada uma delas.

A ampliação da conexão do idoso é uma tendência ascendente que foi escancarada nesse período. Consideramos que o uso de aplicativos de conversa, como o Whatsapp, já era uma normalidade. Antes usados esporadicamente para conversas rápidas e compartilhamento de notícias, seu modo de uso e relacionamento mudou, hoje é por esse aplicativo que os idosos recebem sua agenda de atividades, ações de socialização, exercícios de estímulo cognitivo, filmes, livros, lives, vídeos-aulas e etc..

Esse contato ampliado da tecnologia permitiu uma maior proximidade com idosos que por vez não tinham mais tanta disponibilidade de mobilidade na cidade, ou mesmo de tempo e distância. A internet encurtou essa distância entre a casa deles e o Sesc, proporcionando uma maior participação das ações para alguns casos. 

Claro que há uma contradição nessa condição das ações virtuais, existe ainda um grande grupo excluído desse processo, tanto por falta de conectividade, habilidade ou por falta de instrumentos e aparelhos. Uma parcela enorme não tem condições financeiras de ter celulares, computadores e acesso à internet. Desta forma estimulamos que eles entrassem em contato uns com os outros, pelo telefone, para mais uma vez levar conforto, acolhimento, informação e segurança para o maior número possível de pessoas. 

Diante desse cenário, 1 ano e meio depois, o Trabalho Social com Idosos do Sesc RJ vem estudando há 2 meses a possibilidade de retorno para os espaços físicos. Para essa tomada de decisão foram analisados diversos aspectos, sendo eles: o avanço do calendário de vacinação dos idosos, a vacinação da equipe de trabalho, a redução da taxa de ocupação de leitos hospitalares e da situação epidemiológica da Covid-19, os decretos governamentais sobre os espaços públicos, medidas internas de biossegurança, treinamento de equipe de limpeza, a redução da adesão (e o cansaço) às ações virtuais e a saúde mental dos idosos. 

De todos os aspectos apresentados, a saúde mental dos idosos foi a que mais pesou na decisão de retorno presencial. O retorno será feito a partir de setembro de 2021, de forma gradual, em grupo reduzidos e agendados, considerando todas as medidas de segurança e preferencialmente em espaços abertos. Nesse meio tempo, foi publicado pela Fiocruz e pelo consórcio de veículos de comunicação, informações sobre o aumento do número de hospitalizações de idosos com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG por Covid-19) no Estado do Rio de Janeiro. Apesar de meses de quedas, em agosto de 2021 foi observada uma alta de internações. Importante destacar que segundo dados da Fiocruz, mesmo com a alta a preocupação maior estava na faixa etária acima de 80 anos e com a contaminação pela variante Delta do Corona vírus. 

Desta forma, considerando o perfil de idosos do Sesc RJ (que possui uma quantidade de idosos acima de 80 anos baixa), apesar de uma decisão difícil, que precisava considerar várias aspectos, da grande preocupação institucional pela segurança de todos,  e com o retorno de diversas atividades para idosos no estado, foi mantida a decisão de retorno das ações presenciais. Mesmo assim, foi criado um protocolo interno para que a segurança entre os idosos fosse a melhor possível, além de treinamento e conversa com os próprios idosos antes do retorno presencial. 

Referências:

Documentos SESC

(https://portal.fiocruz.br/noticia/estudo-alerta-para-aumento-de-internacoes-de-idosos-por-srag)

Texto: Thais Monteiro de Castro - Assistente Social - Mestrado em Projetos Sociais pela Puc - Pós-graduanda em Gestão Geriátrica e Gerontológica da Med Puc Rio



Thais Monteiro de Castro é responsável técnica pelo trabalho social com idosos no Sesc RJ

domingo, 19 de setembro de 2021

Eles estão envelhecendo e agora?

Por mais que digamos que estamos preparados não é fácil ver nossos pais envelhecendo. Aqueles que cuidaram da gente o tempo todo agora necessitam de cuidados. 

Eles empurraram nosso carrinho, nos deram comida na boca, nos deram as mãos para atravessar o sinal e nós crescemos.  Trabalhos, filhos, a correria diária e quando olhamos eles já estão de cabelos brancos, por mais que a tinta tente disfarçar. Temos nove meses para nos preparar para a criança que vai chegar e o contrário, nos preparamos?

Aos poucos começamos a nos preocupar em saírem sozinhos, como está alimentação, as visitas, aos médicos e se estão tomando a medicação. Como cuidar daquele que cuidou de mim, sem deixar perder a autonomia, respeitando a vontade e a necessidade de cada um.

E chegou a hora de tomar a decisão: Convidá-los a morar em um residencial? Contratar um cuidador em casa para não deixarem seu lar? Trazer para morar em conosco? Como decidir? Proporcionar uma velhice de atenção, cuidado e respeitando a individualidades deles não é uma decisão fácil. 

Nesse momento bate a insegurança, vou deixar outra pessoa cuidar dos meus pais? Essa pergunta nos parece familiar, foi a mesma que fizemos na hora de deixar as crianças na creche. Com o tempo, aprendemos que é bom para a criança, ter o convívio com outras, rotina, cuidado, alimentação, atividades, dentre todos os benefícios que a Creche oferece. 

Vamos inverter a situação, muitos idosos ficam em casa o dia todo sozinhos , de frente para uma TV, sem ninguém para conversar, sem atividades, simplesmente esperando a vida passar ou no máximo com um cuidador. Por outro lado,  a ILPI oferece a oportunidade de conhecer novas pessoas e talvez novos amores, ter atividades, rotina, cuidado médico, alimentação equilibrada, higiene pessoal e ainda ter a certeza da visita dos seus familiares, na maioria dos casos.

Precisamos quebrar esse paradigma, como hoje já quebramos o da creche. Ter a opção de uma ILPI não é abandonar, é cuidar de quem sempre cuidou de nós.

Texto de Amanda Guimarães - Graduada em Secretariado Executivo. Pós-graduanda em Gestão Geriátrica e Gerontológica na Med PUC Rio.


Amanda Guimarães é assessora administrativa do Solar Marina de Matos Lopes


https://instagram.com/solarmarinailpi?utm_medium=copy_link

Os Novos Idosos

 A Pandemia de COVID19 alterou significativamente a vida de toda a humanidade. O isolamento e o distanciamento social criaram novas formas de se comunicar e de realizar as atividades do dia a dia. Todas as gerações sofreram adaptações, com a imposição do ensino à distância e do trabalho remoto - requisitos necessários para reduzir a possibilidade de contaminação e de proliferação do vírus. 

Os mais jovens ampliaram o uso de ferramentas digitais que já conheciam e com as quais haviam tido contatos em videoconferências, jogos, palestras ou cursos on-line. Os idosos, no entanto, precisaram incorporar novas habilidades e se aventurar em cyber espaços nunca antes navegados. 

Os idosos passaram a conviver mais tempo com a família, uma vez que as aulas e os trabalhos passaram a ser realizados de casa ou menos tempo, no caso dos idosos institucionalizados, que tiveram as visitas suspensas em atendimento aos protocolos sanitários.

Em ambos os casos, os idosos, que em geral eram mais resistentes ao o universo tecnológico, passaram a utilizar ferramentas digitais para manter o contato com o mundo externo e realizar tarefas básicas, com encontros em salas digitais ou ligações de vídeo com os familiares confinados em ambiente diverso, consultas por telemedicina, compras por aplicativos e atuação em redes sociais.

A convivência familiar multigeracional e a necessidade do contato virtual, para as famílias isoladas pelo distanciamento, impulsionou definitivamente o acesso do idoso ao mundo digital. O que era abominado passou a ser necessário e, em para muitos, prazeroso, como os casos dos Vovôs Tiktokers - https://www.tiktok.com  e @vovostiktokers que entretém seus mais de 10.000 seguidores na  rede social, ou da Vó Kina, que no seu canal no youtube JARDIM DA VÓ KINA dá conselhos para a sua geração e compartilha seus conhecimentos sobre botânica.

Sabemos que haverá um Novo Normal, que na realidade já está em curso e pode ser identificado na revolução digital implantada pelos governos (cidadão digital, meu Gov, meu INSS, e-previdência, dentre outros) e no encolhimento físico dos ambientes de trabalho. 

Para esse novo tempo, será preciso pensar nos "Novos Idosos".  Será preciso idealizar projetos que possam auxiliá-los a se apropriarem das ferramentas digitais, facilitando a autonomia e a independência em seus usos, em especial quando seus familiares retornarem para as suas atividades presenciais e as instituições puderem retomar o fluxo de visitação. 

Referências:

https://saudedapessoaidosa.fiocruz.br/pratica/inclus%C3%A3o-digital-para-idosos-integrando-gera%C3%A7%C3%B5es-na-descoberta-de-novos-horizontes

Texto de Deolinda da Rocha Rodrigues
Enfermeira e Fisioterapeuta, com Especialização em Gerontologia
Pós-graduanda em Gestão Geriátrica e Gerontológica da Med PUC Rio


Deolinda da Rocha Rodrigues
é gestora da ILPI Geriátrica Sol Lar Vivendas da Terceira Idade


Precisamos cuidar mais dos nossos idosos

 Hoje no Brasil temos 14,3% da população idosa. 

Vocês sabiam que até 2060, 32,2 % da população do Brasil será de idosos?

Até 2025 Brasil será o 6º país com maior número de idosos.  

Como não nos preocuparmos em cuidar deles!!!

Neste momento de Pandemia que estamos enfrentando, cresce a importância de compreender e adaptar as necessidades da população idosa às dificuldades desse novo ambiente apresentado pelo covid19. O medo e a insegurança do novo, tomaram conta de muitas vidas.

Nossos idosos são os mais afetados pela pandemia. A fragilidade desse público é grande. Eles geralmente têm doenças associadas e se tornam mais vulneráveis às doenças infectocontagiosas e psicoemocionais.

A solidão e a depressão podem aparecer na terceira idade. E para fugir dessas armadilhas, o melhor remédio é manter o corpo em movimento. E também a interatividade com filhos, netos e outros amigos. Em tempos de pandemia, a interatividade é dificultada, sem dúvida. Mas aí as conversas virtuais podem ser uma solução.

Falo aqui do cuidado humano, não precisa ser profissional da área de saúde para cuidar de um idoso. Precisamos de cuidado, carinho e amor.

Você tem algum idoso na família? Ou conhece algum? Então; doe seu tempo, doe carinho, atenção e amor. Faça uma ligação, uma visita virtual e faça algo por um idoso!  

Tem coisas na vida que o dinheiro não compra! 

Referências:




Texto de Moema Baptista
Fonoaudióloga especialista em Audição e prótese auditiva pela Universidade Veiga de Almeida.
Pós graduanda em Gestão Geriátrica e Gerontológica pela Puc Rio
Fonoaudióloga responsável técnica no Residencial Casaminha




Moema Baptista é sócia-diretora da empresa de cuidadores de pessoas Cuidare - Unidade Barra  https://fb.watch/86ZFpPMu3w/

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Como podemos conquistar longos e plenos anos de vida?

 Existe uma série de fatores que contribuem para uma vida mais longa e feliz. Um deles, presente em vários estudos pelo mundo, trata do ambiente que nos cerca. O que isso tem a ver?

Todos os dias estamos rodeados por mais ou menos pessoas, em lugares confortáveis ou estressantes. A intimidade, a confiança e outros componentes humanos são cruciais para termos mais satisfação nesses ambientes. Nossa trajetória de vida também pode ter efeito, como aponta mais um estudo de 2020 sobre o assunto. 

No estado de Washington (Estados Unidos), poder caminhar na vizinhança e de fato apresentar esse comportamento como um hábito, indicou associação com a longevidade. Sabemos que atividades físicas promovem a saúde, mas muitos idosos ainda são reclusos ou têm receio de caminhar mesmo por perto de onde moram. Isso nos faz pensar sobre questões como segurança pública, espaço e urbanização. Felizmente, já existem áreas urbanas dedicadas a atividades para idosos, mas podemos iniciar nossa caminhada com qualquer idade!

Curiosamente, pessoas que nunca foram casadas, viúvas ou separadas/divorciadas também foram consideradas mais prováveis de chegarem aos 100 anos. É importante refletirmos sobre esses e outros resultados, se é uma questão geográfica ou da amostragem realizada. A pesquisa da longevidade não cessa, e devemos sempre nos atentar para novidades que suportam ou refutam consensos anteriores! 

Referências:




Texto: Dra. Lilian Vieira – Pós Graduanda em Gestão Geriátrica e Gerontológica pela PUC/Rio. 


Lilian Vieira é medica intensivista

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Possibilidades e Limites: como conciliar o dia a dia das Instituições de Longa Permanência para Idosos com as exigências dos órgãos fiscalizadores?

Todos os gestores de serviços de saúde já passaram ou vão passar por algum tipo de fiscalização por parte do poder publico. No universo das Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) não é diferente. Isso também acontece, e muito. Mas como atender a toda essa demanda sanitária e conciliar com a realidade de 95% dos idosos que não têm condições financeiras de arcar com valores razoáveis para que seja atendida a legislação. Esta é uma reclamação comum de 10 em cada 10 gestores de ILPIs.

Desde 2003, com o advento do estatuto do idoso, os governos, em suas três esferas, têm se movimentado e produzido leis que regulamentam esta atividade. Muitas vezes, inclusive, eles não falam a mesma língua. E, além disso, também os órgãos fiscalizadores parecem não atuar de forma consonante na hora de fiscalizar uma ILPI. Por vezes ocorrem cobranças irreais e até antagônicas, o que faz com que o gestor perca tempo e dinheiro tentando resolver meras ações burocráticas.

Um dos problemas que enxergo é o fato de que, quem faz as leis não tem a vivência do dia a dia. Podemos citar como exemplo, camas afastadas 80cm da parede. Por que o legislador incluiu isso? Será que é justo autuar uma ILPI porque a cama esta encostada na parede, sendo que na maioria das vezes é mais seguro a cama na parede para evitar quedas?

Outro problema é que quem vai fiscalizar, nunca passou um dia inteiro numa ILPI, nunca fez um plantão noturno, nunca trabalhou com isso. O fiscal chega com a lei embaixo do braço, o crachá, adentra na instituição e começa a devassar tudo. Será que é dessa forma que iremos evoluir a prestação do serviço? Imaginem: um fiscal nota que um quarto possui 4 camas encostadas na parede e com distancia 70cm entre elas. O papel do fiscal, segundo a lei, é notificar a instituição para retirar uma cama desse quarto e readequar para 80 cm de distancia e desencostar da parede. Mas será que é isso que vai melhorar a vida do idoso? Será que não tem outras questões que contam mais do que isso?

Não me entendam mal, a fiscalização é importante. Poderia e deveria ajudar muito, por exemplo, coibindo a clandestinidade, os maus-tratos e outras ações que de fato são nocivas a pessoa idosa. Mas, será que o fiscal é melhor para avaliar os serviços oferecidos por uma ILPI do que o próprio mercado ou seja, o consumidor?

Talvez o que mais incomode o gestor de uma ILPI seja o fato de perceber que, o mesmo Estado que cobra inúmeros itens de sua instituição é frágil no cumprimento na viabilização das políticas públicas. Para começar é importante perguntar: Quantas ILPIs o Estado disponibilizada para seus cidadãos idosos? E quando oferecidas, será que atendem todas as demandas impostas a uma ILPI privada? 

Texto: Thales Brasil De Gruttola - Bacharel em Direito, pós-graduando em Gestão em Gerontologia e Geriatria pela PUC-Rio.




Thales Brasil De Gruttola é gestor das ILPIs

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

O aumento das internações de idosos com a nova variante Delta

O alto índice de internação de idosos com a nova variante Delta – que parece ser a mais transmissível –, vem preocupando os especialistas no Rio de Janeiro.

Em geral, a população idosa apresenta maior risco e o fato de terem sido priorizados na imunização foi relevante para que fossem preservados, visto que em geral têm a saúde mais fragilizada.

A terceira dose da vacina será aplicada inicialmente em idosos residentes em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI), o que mais uma vez demonstra preocupação oportuna devido aos registros do avanço da nova variante Delta.

Além do cuidado com a imunização, a orientação das autoridades epidemiológicas quanto à utilização de medidas de proteção, devem ser priorizadas e aplicadas constantemente pelos colaboradores das ILPIs, assim como toda a população, para que possamos colaborar com a saúde reduzindo a circulação e avanço da variante Delta.

Diante desse novo cenário o Ministério Público do Rio de Janeiro alerta para necessidade de ampliar a proteção dos idosos nas ILPIs. Acesse o link para ler o texto completo.

http://www.mprj.mp.br/home/-/detalhe-noticia/visualizar/107412

Saúde e Proteção para a população idosa.

Texto de Alcineli Pinto da Costa Abreu de Almeida





Psicóloga Graduada pela Universidade Santa Úrsula/RJ, Pós-Graduada em Teoria e a Prática da Psicopedagogia Clínica – TEKOA/RJ - Centro de Estudos e Aprendizagem.  Pós-graduada em Gerontologia pela UnATI-Uerj e Pós-Graduanda em Gestão Geriátrica e Gerontológica – MED - PUC/Rio.


quarta-feira, 1 de setembro de 2021

É necessário se cuidar enquanto jovem ou esperar envelhecer para começar?

A população idosa no mundo vem aumentando a cada ano, uma vez que a expectativa de vida se ampliou. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida em 1910 para homens era de 33,4 anos e de 62,3 anos em 1990. Agora o estudo aponta para um crescimento de 77,9 anos para homens e 84,2 anos para mulheres até 2060.

E pensando nessa evolução, os hábitos adquiridos na juventude serão cruciais não apenas para uma vida mais duradoura, mas também para uma velhice mais saudável e com menos limitações. A prática de atividade física, a alimentação balanceada, e os exames periódicos são pilares de prevenção de doenças e manutenção da saúde do corpo e da mente.

Não é prudente deixar de fazer a prevenção achando que por ser jovem não há necessidade de ter um acompanhamento. Quanto antes começar a olhar para si, melhor! 

Precisamos desconstruir essa imagem entendendo o quanto é importante fazer a prevenção o mais cedo possível. Embora, sempre seja o momento de se adotar hábitos saudáveis de vida, não precisamos esperar envelhecer para nos cuidarmos. O foco deve ser, desde cedo, a prevenção para que possamos alcançar um envelhecimento ativo e saudável.


Referência:

https://valor.globo.com/google/amp/brasil/noticia/2018/07/25/um-quarto-dos-brasileiros-sera-idoso-em-2060-diz-ibge.ghtml

Texto Helen Meireles - Formada em administração de empresas. Pós-graduanda em Gestão Geriátrica e Gerontológica na Med Puc Rio



Helen Meireles e secretária da clínica Longevitat envelhecimento ativo

Quer conhecer um pouco mais sobre envelhecimento saudável

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