segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Atividades presenciais: O dilema do Retorno

O Sesc realiza atividades focadas em idosos há quase 60 anos e essa atuação se modifica através do tempo, e se ajusta de acordo com a realidade existente. Durante a Pandemia de Covid-19 não foi diferente, adaptamos e nos renovamos para que pudéssemos manter a qualidade de ação e atender a nova realidade e necessidade vigente. Os idosos fazem parte do grupo de risco e foram a maior preocupação do Sesc, desde 13 de março de 2020. As ações virtuais se iniciaram logo na primeira semana após o fechamento das unidades, cresceram e se mantiveram até o momento. São 3 mil idosos com ações diárias por meio de grupos de WhatsApp, Grupos de Facebook, Lives, salas de Zoom e Vídeos. Antes da Pandemia a média diária no Estado do Rio de Janeiro era de 6 mil com picos de 10 mil idosos, em atividades presenciais em nossas 19 unidades operacionais.  

O maior desafio dessa atuação foi a inclusão digital e o acesso às ferramentas de rede sociais e aplicativos. Mas todo esse desafio foi vencido semana a semana e proporcionado uma maior segurança na participação do público 60+ nas atividades. As ações foram fundamentais para manter os idosos ativos, seguros dentro de suas residências, informados e minimizando o impacto do isolamento social. 

Considerando o protagonismo do idoso e a promoção da qualidade de vida como um dos pilares fundamentais do Trabalho Social com Idosos, o Sesc foi surpreendido com a ampliação da participação desse público e pelo resultado apresentado. As famílias também deram retorno positivo, tanto pela crescente aproximação dos idosos às tecnologias quanto pela sua interação e aderência as atividades propostas. Foi comum ter netos e filhos apoiando e participando junto dos cafés virtuais, cursos e bailes.  Como muitos idosos moram sozinhos, a falta dos espaços de socialização e, principalmente a falta do Sesc, associada a solidão de suas casas, afetaram sua saúde, para esse grupo o espaço virtual foi ainda mais importante. 

Nesse período de Pandemia, até os idosos mais resistente se renderam a tecnologia e as redes sociais, como forma de contato com o mundo exterior e com a família. Houve uma mudança no perfil dos idosos, eles começaram a enxergar na tecnologia um modo de vida, antes inexplorado. Eles abriam a porta para a internet, mudando assim seus hábitos e suas rotinas, ficaram mais conectados e sedentos por esse conhecimento, abandonando os estereótipos de avessos aos celulares e computadores. Criaram perfis, conteúdo, estão interagindo e participando. A internet permitiu que eles fossem protagonistas e atuantes e não somente expectadores. Perfis nas redes sociais de idosos influenciadores geraram representatividade sendo um fator estimulante para a presença deles nesses espaços.    

Desde os cafés virtuais, as lives, os bailes temáticos e cursos via zoom, a frequência e a participação ativa crescia a cada semana e as temáticas se modificaram. Cada vez mais temas novos e contemporâneos surgiram, como por exemplo, sexualidade, aplicativos de encontros, compras pela internet e telemedicina. Essas demandas surgiam e a equipe trabalhou em conjunto para atendar a cada uma delas.

A ampliação da conexão do idoso é uma tendência ascendente que foi escancarada nesse período. Consideramos que o uso de aplicativos de conversa, como o Whatsapp, já era uma normalidade. Antes usados esporadicamente para conversas rápidas e compartilhamento de notícias, seu modo de uso e relacionamento mudou, hoje é por esse aplicativo que os idosos recebem sua agenda de atividades, ações de socialização, exercícios de estímulo cognitivo, filmes, livros, lives, vídeos-aulas e etc..

Esse contato ampliado da tecnologia permitiu uma maior proximidade com idosos que por vez não tinham mais tanta disponibilidade de mobilidade na cidade, ou mesmo de tempo e distância. A internet encurtou essa distância entre a casa deles e o Sesc, proporcionando uma maior participação das ações para alguns casos. 

Claro que há uma contradição nessa condição das ações virtuais, existe ainda um grande grupo excluído desse processo, tanto por falta de conectividade, habilidade ou por falta de instrumentos e aparelhos. Uma parcela enorme não tem condições financeiras de ter celulares, computadores e acesso à internet. Desta forma estimulamos que eles entrassem em contato uns com os outros, pelo telefone, para mais uma vez levar conforto, acolhimento, informação e segurança para o maior número possível de pessoas. 

Diante desse cenário, 1 ano e meio depois, o Trabalho Social com Idosos do Sesc RJ vem estudando há 2 meses a possibilidade de retorno para os espaços físicos. Para essa tomada de decisão foram analisados diversos aspectos, sendo eles: o avanço do calendário de vacinação dos idosos, a vacinação da equipe de trabalho, a redução da taxa de ocupação de leitos hospitalares e da situação epidemiológica da Covid-19, os decretos governamentais sobre os espaços públicos, medidas internas de biossegurança, treinamento de equipe de limpeza, a redução da adesão (e o cansaço) às ações virtuais e a saúde mental dos idosos. 

De todos os aspectos apresentados, a saúde mental dos idosos foi a que mais pesou na decisão de retorno presencial. O retorno será feito a partir de setembro de 2021, de forma gradual, em grupo reduzidos e agendados, considerando todas as medidas de segurança e preferencialmente em espaços abertos. Nesse meio tempo, foi publicado pela Fiocruz e pelo consórcio de veículos de comunicação, informações sobre o aumento do número de hospitalizações de idosos com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG por Covid-19) no Estado do Rio de Janeiro. Apesar de meses de quedas, em agosto de 2021 foi observada uma alta de internações. Importante destacar que segundo dados da Fiocruz, mesmo com a alta a preocupação maior estava na faixa etária acima de 80 anos e com a contaminação pela variante Delta do Corona vírus. 

Desta forma, considerando o perfil de idosos do Sesc RJ (que possui uma quantidade de idosos acima de 80 anos baixa), apesar de uma decisão difícil, que precisava considerar várias aspectos, da grande preocupação institucional pela segurança de todos,  e com o retorno de diversas atividades para idosos no estado, foi mantida a decisão de retorno das ações presenciais. Mesmo assim, foi criado um protocolo interno para que a segurança entre os idosos fosse a melhor possível, além de treinamento e conversa com os próprios idosos antes do retorno presencial. 

Referências:

Documentos SESC

(https://portal.fiocruz.br/noticia/estudo-alerta-para-aumento-de-internacoes-de-idosos-por-srag)

Texto: Thais Monteiro de Castro - Assistente Social - Mestrado em Projetos Sociais pela Puc - Pós-graduanda em Gestão Geriátrica e Gerontológica da Med Puc Rio



Thais Monteiro de Castro é responsável técnica pelo trabalho social com idosos no Sesc RJ

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