terça-feira, 31 de agosto de 2021

ILPI (Instituição de Longa Permanência para idosos): uma opção para envelhe(SER)

Culturalmente falando acreditamos que a melhor e mais justa forma de envelhecimento seria em nossas residências e sendo cuidados pelos filhos. Esta ideia de envelhecimento ideal vem de uma época em que as mulheres eram criadas exclusivamente para o cuidado do lar e da família, incluindo os pais e, em algumas situações, os sogros idosos

No mundo moderno homens e mulheres assumem juntos as responsabilidades financeiras do lar e a gestão das necessidades da família. As mulheres não mais são criadas para serem "do lar", mas para assumirem as mais diversas ocupações no mercado de trabalho, em contrapartida, a humanidade está cada vez mais longeva, a expectativa de vida cada vez maior. Desta forma, em muitos momentos a alegria de ter os pais vivos por mais anos é ofuscada pela pela interrogação: QUEM VAI CUIDAR DELES? 

É exatamente neste momento que devemos olhar para as Instituições de Longa Permanência (ILPI's) com uma visão desmistificada e perceber que muitas destas casas podem ser espaço que acolhem, que melhoram a qualidade de vida em meio a fragilidade, e que permitem ao idoso envelhe(SER), ou seja, SER ele mesmo, muitas vezes limitado, mas não incapaz de ser protagonista da própria vida. 

Envelhecer é uma fase da vida dotada de ressignificação e readaptação e muitas vezes em família o idoso não consegue concluir este processo porque se enxerga como o "diferente", o mais lento, o que atrapalha, o que dá trabalho, o que precisa de auxílio, diferente de todos os outros. Em família o processo de readaptação e ressignificação em muitos momentos se torna exigente, conflituoso e aquela convivência que deveria ser saudável acaba se tornando um fardo de tão estressante.

Dentro de uma ILPI todos são parecidos: modificados pelo tempo vivido, lentos, limitados, mas em meio a tantas velhices se reconhecem e conseguem se reinventar sendo eles mesmos, independente das suas particularidades. 

A ILPI quer ser casa que acolhe todas as formas de envelhecimento para que juntos aprendamos que em todas as fases da vida há espaço para o novo. 

A ILPI quer ser casa de mãe, de pai, de avô, de avó que acolhe e congrega todas as famílias para um café, um bate papo, uma volta no jardim ou simplesmente para uma companhia silenciosa. 

A ILPI quer dar ao idoso a oportunidade de continuar a SER e com alegria celebrar todos os dias a vida que é um dom.

Texto de Ana Flávia Olímpio de Oliveira - Enfermeira COREN - SP 448339 

Especialista em Gerontologia pelo Instituto de Ciências e Pesquisa Albert Einstein

Pós-graduanda em Gestão Geriátrica e Gerontológica da Med PUC - Rio




Ana Flávia Olímpio de Oliveira é Coordenadora do Residencial Florença Hospedagem de Idosos

Quer conhecer um pouco mais sobre o Residencial Florença? Acesse o link













segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Velhice classificada como Doença? Você aceitaria esse diagnóstico para você ou para seus pais e avós!?

Isso mesmo! A partir de 1º de janeiro de 2022 a velhice passa a ser considerada uma doença pela CID 11 (classificação Internacional de Doenças - edição 11), da Organização Mundial da Saúde como código MG2 A. 

Acho que você pensou: “Isso não tem nada a ver comigo”! Pois tem! Alguns de nós já somos idosos, outros temos os familiares idosos, mas se você ainda é jovem, deixo um lembrete: todos seremos idosos um dia! Aí vem a questão: O que isso tem a ver comigo e com você?

A velhice é um processo normal e esperado no nosso ciclo de vida e não uma doença, como querem defini-la! 

Doença tem sinais e sintomas, VELHICE, NÃO!

Essa Classificação pode ser desastrosa no cuidado com a saúde dos idosos e colocá-los em sérios riscos, como: 

🙉Muitas condições do envelhecimento vão passar batidas como doenças!

🦠 Séries de diagnósticos errados!

😩 Formas de cuidado e acompanhamento do idoso feitas de forma incorreta!

🤕 Vai demorar muito tempo para diagnosticar doenças de verdade!

💸 O gasto com doenças vai aumentar bastante!

😢 Vai acontecer muita Negligência e Iatrogenias (tratamentos equivocados e danosos)!

E mais, além desses agravantes, as falhas por falta de conhecimento de Geriatria e Gerontologia passariam a ser NORMAIS DA VELHICE!

Aquela condição própria do envelhecimento que pode ser acolhida, acompanhada, minimizada ou resolvida, passar a ser DIAGNOSTICADA COMO VELHICE!

Pois bem, toda luta que temos travado em melhoria da qualidade de vida, estimulação da autonomia e independência e busca pelos direitos da pessoa idosa, escorre de nossas mãos quando esse novo “diagnóstico” contraria todos os preceitos universais de saúde.

Texto de Mariana Medeiros Mota Tessarolo – Enfermeira pelo UNESC/ES, Especialista em Gerontologia pelo Instituto de Ensino e Pesquisa Albert Einstein/SP, Graduanda em Psicologia pela FAACZ/ES, Pós Graduanda em Gestão Geriátrica e Gerontológica pela PUC/Rio e Mestranda em Psicogerontologia pela Faculdade Educatie/SP. 


Mariana Medeiros é Proprietária das Casa de Repouso Aconchego Aracruz, Linhares e Interlagos/ES. 

Quer conhecer um pouco mais sobre a instituição acesse o link 

https://instagram.com/casaderepousoaconchegoaralin?utm_medium=copy_link


Gestão em Geriatria e Gerontologia

 

O conceito de gestão amplia a capacidade de administrar um serviço.  Enquanto a administração foca no aspecto técnico do espaço institucional, a gestão amplia o olhar e vários aspectos passam a fazer parte do universo da organização que se propõem a executar um serviço de qualidade. Para tanto, o olhar do bom gestor estará além das questões que envolvem a execução de suas ações.

O bom gestor estará preocupado em conhecer bem as peculiaridades de seu público alvo, suas principais necessidades e suas possibilidades. Além disso, estará preocupado com o seu time de trabalho. Além de buscar recursos humanos qualificados ele deve ter o foco em mantê-los motivados. O bom gestor tem uma forte preocupação com os sistemas de informação e comunicação do seu negócio.

Preferencialmente antes de executar o seu serviço, o gestor deve elaborar um projeto com base nos pressupostos do planejamento estratégico abrangendo todas as etapas necessárias para o alcance das metas propostas. E, estará sempre preocupado em avaliar a qualidade do serviço prestado. Se não elaborou antes de executar, é chegada a hora de repaginar a sua instituição!

No que tange aos espaços que se destinam a prestar serviços à população que envelhece ou que já está envelhecida, a gestão em geriatria e gerontologia será fundamental para que se alcance objetivos precisos.

Não é mais novidade para ninguém que o Brasil já é um país com uma significativa população com mais de 60 anos. Para esse grupo etário, não mais se justifica a atenção com foco no modelo hospitalocêntrico, cuja premissa básica é a cura de doenças já instaladas.

Desde 2002 a Organização Mundial de Saúde chama a atenção para a necessidade de um novo paradigma em saúde com ações voltadas para a prevenção de problemas que possam afetar a capacidade funcional e interferir no capital humano mais importante de um ser humano: a sua autonomia e sua independência.

 Em 2006, a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa enfatizou a necessidade de realizar ações com foco no resgate ou manutenção da capacidade funcional. Em todos os espaços institucionais o objetivo precípuo deve ser: avaliar, identificar problemas e reabilitar para manter o foco no envelhecimento ativo.

Contudo, para que se alcance esse ideário, é de fundamental importância conhecer a pessoa que será alvo desse espaço de atenção. Para isso, os gestores e seus times de trabalho devem estar instrumentalizados para conhecer a singularidade de cada indivíduo. Seus principais problemas de saúde, sua capacidade funcional, além de suas possibilidades e limitações.

Nesse contexto organizacional para uma boa gestão geriátrica e gerontológica o foco das ações deve estar direcionado para a promoção de saúde e prevenção de doenças. Sempre com um olhar adiante, levando em consideração os prognósticos e as condições as quais estes indivíduos estarão expostos. Certamente, este olhar será a mola propulsora para a manutenção da autonomia e independência. E o segredo do sucesso para a qualidade de qualquer serviço, programa ou projeto em uma instituição.  

Referências


https://blogdagigi.com.br/gestao-em-gerontologia-no-contexto-organizacional

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/envelhecimento_ativo.pdf

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2006/prt2528_19_10_2006.html

https://revistas.pucsp.br/index.php/kairos/article/view/17319

 

 





Maria Angélica Sanchez

Coordenadora da Pós-graduação em Gestão Geriátrica e Gerontológica

MED PUC Rio

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