Culturalmente falando acreditamos que a melhor e mais justa forma de envelhecimento seria em nossas residências e sendo cuidados pelos filhos. Esta ideia de envelhecimento ideal vem de uma época em que as mulheres eram criadas exclusivamente para o cuidado do lar e da família, incluindo os pais e, em algumas situações, os sogros idosos
No mundo moderno homens e mulheres assumem juntos as responsabilidades financeiras do lar e a gestão das necessidades da família. As mulheres não mais são criadas para serem "do lar", mas para assumirem as mais diversas ocupações no mercado de trabalho, em contrapartida, a humanidade está cada vez mais longeva, a expectativa de vida cada vez maior. Desta forma, em muitos momentos a alegria de ter os pais vivos por mais anos é ofuscada pela pela interrogação: QUEM VAI CUIDAR DELES?
É exatamente neste momento que devemos olhar para as Instituições de Longa Permanência (ILPI's) com uma visão desmistificada e perceber que muitas destas casas podem ser espaço que acolhem, que melhoram a qualidade de vida em meio a fragilidade, e que permitem ao idoso envelhe(SER), ou seja, SER ele mesmo, muitas vezes limitado, mas não incapaz de ser protagonista da própria vida.
Envelhecer é uma fase da vida dotada de ressignificação e readaptação e muitas vezes em família o idoso não consegue concluir este processo porque se enxerga como o "diferente", o mais lento, o que atrapalha, o que dá trabalho, o que precisa de auxílio, diferente de todos os outros. Em família o processo de readaptação e ressignificação em muitos momentos se torna exigente, conflituoso e aquela convivência que deveria ser saudável acaba se tornando um fardo de tão estressante.
Dentro de uma ILPI todos são parecidos: modificados pelo tempo vivido, lentos, limitados, mas em meio a tantas velhices se reconhecem e conseguem se reinventar sendo eles mesmos, independente das suas particularidades.
A ILPI quer ser casa que acolhe todas as formas de envelhecimento para que juntos aprendamos que em todas as fases da vida há espaço para o novo.
A ILPI quer ser casa de mãe, de pai, de avô, de avó que acolhe e congrega todas as famílias para um café, um bate papo, uma volta no jardim ou simplesmente para uma companhia silenciosa.
A ILPI quer dar ao idoso a oportunidade de continuar a SER e com alegria celebrar todos os dias a vida que é um dom.
Texto de Ana Flávia Olímpio de Oliveira - Enfermeira COREN - SP 448339
Especialista em Gerontologia pelo Instituto de Ciências e Pesquisa Albert Einstein
Pós-graduanda em Gestão Geriátrica e Gerontológica da Med PUC - Rio


